
Dos navegadores do Renascimento aos viajantes do século XIX e XX, os italianos estabeleceram rotas e destinos que envolveram o continente americano e o Brasil. No ano em que se homenageia a Itália, o Arquivo Nacional selecionou em seu acervo, temas que conduzem o visitante por uma longa e expressiva relação entre as duas culturas.
A aliança com a fé católica de Roma que marcou as sociedades ibero-americanas evidencia-se no conjunto de quatro Livros de Horas do final do século XV, com iluminuras, capitais ornamentadas e outros elementos característicos desse gênero voltado para a devoção dos leigos, além de bíblias dos séculos XVI ao XVIII. Tratados históricos ou filosóficos publicados na época moderna e livros de viagens que trazem o Coliseu ou Pompéia, iniciam esse percurso, chegando ao Império brasileiro.
Em um dos mais impressionantes movimentos demográficos contemporâneos, entre 1887 e 1930, cerca de 3,8 milhões de estrangeiros entraram no país, período em que os italianos respondem por 35,5% do total ou aproximadamente 1,3 milhões. Seus nomes, famílias, idades, profissões e mesmo expectativas estão inscritos em listas de vapores, registros de hospedaria de imigrantes, passaportes, processos de naturalização, pedidos de permanência, processos de expulsão, anúncios comerciais, inventos.
Se a imigração não cumpriu o que prometia, para muitos foi o lugar da atuação política: as tendências das primeiras décadas do século XX encontram, sobretudo nas cidades, aqueles que engrossaram as fileiras do anarco-sindicalismo, do comunismo e, em sentido inverso, do fascismo em ascensão.
A Segunda Guerra Mundial leva os brasileiros a se reunirem no 5º Exército norte-americano na Itália, em batalhas que marcaram a história recente. Enquanto seguem os confrontos, a colônia italiana amargava as restrições do governo aos “súditos do Eixo”. Imagens do Arquivo de Estado de Roma trazem de modo inédito o front fascista, que dialoga com as cenas que os correspondentes da Agência Nacional e do Correio da Manhã enviavam das trincheiras aliadas. Fotografias geradas pelo exército americano trazem a cores os aviadores brasileiros em ação ou em visita à Torre de Pisa, close para “Santa a Pua”. Um documentário sobre a atuação dos pracinhas na Itália complementa o módulo.
Da música italiana, em toda sua versatilidade, mostramos a longa trajetória da ópera, em retratos de cantores do século XIX e em um painel dedicado ao maestro Henrique Oswald, de origem italiana, que por mais de três décadas compôs e regeu em Florença e Gênova. Uma sala da exposição é inteiramente dedicada à vitalidade do cinema italiano, que entre o pós-guerra e os anos 70 ganha as ruas e conquista o público, em filmes de Fellini, Visconti, Bertolucci e tantos outros.
Organizador
Arquivo Nacional


