Caravaggio e os Caravaggescos
Casa Fiat de Cultura – R. Jornalista Djalma Andrade, 1250 – Belvedere • Belo Horizonte/MG • Brasil
22/05/2012 à 15/07/2012
Por meio da técnica do chiaroscuro, em que o emprego de luzes e sombras gera impressionante dramaticidade às cenas retratadas, Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) revolucionou a arte de seu tempo. Apesar da incontestável herança do gênio italiano para a estética ocidental, jamais houve, na América do Sul, exposição de grande magnitude com as obras do pintor. De 22 de maio a 15 de julho, a Casa Fiat de Cultura apresenta Caravaggio e seus seguidores, exposição com seis óleos do mestre e 14 pinturas dos chamados “Caravaggescos”, os mais importantes seguidores do artista.
Evento que integra a programação do Momento Itália-Brasil 2011-2012, Caravaggio e seus seguidores reúne obras da Itália, de Malta e da Inglaterra. Além de pertencentes a coleções particulares, as pinturas provêm de três dos mais prestigiados museus estatais italianos – Galleria Borghese (Roma), Palazzo Barberini (Roma) e Galleria degli Uffizi (Florença). Destaque para Medusa Murtola e Ritratto di Cardinale, que saem da Itália pela primeira vez. De Minas Gerais, a exposição segue, no mês de julho, para o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).
A idealização da mostra é de Rossella Vodret, uma das principais especialistas em Caravaggio na Itália e chefe da Superintendência Especial para o Patrimônio Histórico, Artístico e Etnoantropológico e para o Pólo Museológico da Cidade de Roma. Na Itália, a curadoria tem participação de Giorgio Leone e, no Brasil, de Fabio Magalhães. Além das obras de Caravaggio, a exposição apresenta pinturas de Artemisia Gentileschi (1593-1653), Bartolomeo Cavarozzi (1587-1625), Giovanni Baglione (c.1566-1643), Giovanni Battista Caracciolo (1578-1635), Hendrick van Somer (1615-1684/85), Jusepe di Ribera (1591-1652), Leonello Spada (1576-1622), Mattia Preti (1613-1699), Orazio Borgianni (1574-1616), Orazio Gentileschi (1563-1639), Orazio Riminaldi (1593-1630), Simon Vouet (1590-1649), Tommaso Salini (1575-1625) e Valentin de Boulogne (1591-1632). Trata-se de seguidores do mestre, da segunda metade do séc. XVI e início do séc. XVII.
As pinturas de Caravaggio expostas no Brasil retratam diversos períodos pictóricos e da vida do artista, dividindo-se em três blocos: trabalhos consagrados e conhecidos do imaginário do pintor, novas descobertas e quadros considerados “problemas” pela história da arte – obras em estudo, quando comparadas a outras telas do gênio, por meio de pesquisas e publicações. O público poderá apreciar as “bases” do revolucionário modo de pintar do gênio, assim como características fundamentais de suas composições: o tema retirado da realidade; o formato “ao natural” das figuras semelhantes ao espectador; a cena toda representada em primeiro plano, para envolver emocionalmente quem olha; o fundo neutro ou escuro – de modo a concentrar a atenção sobre o tema representado – e enfatizado pelo feixe de luz forte e direto, e, principalmente, a acentuada dialética do claro-escuro, que torna tudo “real”, vivo e vital.
A realização da mostra é do Ministério da Cultura, da Casa Fiat de Cultura, do Museu de Arte de São Paulo- MASP, da Base7 Projetos Culturais e do Ministério de Bens e Atividades Culturais Italiano e da Superintendência Especial do Patrimônio Histórico, Artístico e Etnoantropológico e para o Pólo de Museus da Cidade de Roma. O patrocínio da exposição no Brasil é daFiat Automóveis e do Banco Bradesco, com o apoio das Embaixadas da Itália no Brasil e do Brasil na Itália e parceria institucional da Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes – APPA.
Na visão do curador italiano, Giorgio Leone, será uma oportunidade ímpar para o público brasileiro: “Das obras produzidas por Caravaggio, durante seus 39 anos de vida, apenas 62 chegaram aos nossos dias. Os visitantes, portanto, apreciarão dez por cento da produção do artista”.
As obras
No primeiro bloco da mostra na Casa Fiat de Cultura, estão as telas do pintor sobre as quais não há dúvidas, por não haver problemática a ser levantada, já que se trata de “grandes Caravaggios”, como San Girolamo che scrive (coleção Galleria Borghese), San Francesco in meditazione (coleção Palazzo Barberini) e Ritratto di Cardinale (coleção Galleria degli Uffizi). No segundo bloco, apresenta-se a nova descoberta, fruto de pesquisas que duraram anos e foram concluídas recentemente. Tal obra – exposta pela primeira vez como legítimo Caravaggio – é Medusa Murtola (coleção privada). Trata-se de descoberta possível apenas agora, quando se sabe muito mais acerca da técnica de Caravaggio, assim como sobre seu processo criativo e executivo. No terceiro bloco, ficam as obras consideradas “problemas”, a exemplo de San Gennaro decollato o Sant’Agapito (Museo Diocesano) e San Francesco in meditazione (coleção particular).
Medusa Murtola,cujo nome remonta a um poeta italiano, ilustra bem as características responsáveis por tornar Caravaggio conhecido. Quando se analisa a obra com radiografias e técnicas de investigações históricas, como o infravermelho, pode-se identificar todos os rascunhos do artista. Há, por exemplo, olhos e boca que mudaram de lugar no quadro final; traços perdidos, escondidos por camadas de tinta e que, pouco a pouco, foram descobertos e analisados pelos pesquisadores. São indícios que enriqueceram o estudo especializado e mostraram que a Medusa Murtola é uma autêntica obra de Caravaggio.
Assim como Medusa Murtola, é a primeiravezque Ritratto di Cardinale – “que não é recente, mas também tem sua história” – sai da Itália. O quadro foi realizado em significativo momento da trajetória do artista, quando o jovem Caravaggio chega a Roma com dificuldades financeiras e pede emprego em um dos ateliês (bottega, em italiano) da cidade. À época, o artista produzia muito para sobreviver, a ponto de fazer dois ou três retratos por dia. Acredita-se, pois, que Ritratto di Cardinale, que já ilustra o grande domínio da técnica pictórica pelo artista, seja desse período.
Também é interessante a história por trás de San Gennaro decollato o Sant’Agapito, quadro encontrado em Palestrina, província de Roma, um dos locais onde Caravaggio refugiou-se depois de ser considerado culpado pelo assassinato de Ranuccio Tomasso, em 1606. Nessa fase, condenado à decapitação, o artista começou a retratar situações como a de San Gennaro decollato: figuras mórbidas, entre a vida e a morte.
Os caravaggescos
“Dos ‘Caravaggescos’, sempre digo que era uma grande desventura para os artistas da época viver no mesmo período de um gênio. Eram grandes pintores, mas quando se tem o gênio, tudo fica obscurecido. Foi isso o que aconteceu. E é importante contextualizar para que o público compreenda a relação dos artistas da época com Caravaggio”, explica Rossela Vodret. Um dos mais importantes caravaggescos é Giovanni Baglione, de quem foi selecionado, para a exposição brasileira, o belíssimo quadro Ecce homo (Cristo deriso o Uomo dei dolori) (Galleria Borghese).
Outro ponto fundamental da trajetória de Caravaggio diz respeito à forma como sua fama rompeu fronteiras romanas e, rapidamente, expandiu-se pela Europa. “Eis o motivo por que selecionamos, para a mostra brasileira, os franceses Simon Vouet (Erodiade con la testa del Battista, Palazzo Corsini, Roma) e Valentin de Boulogne (Sacra famiglia con San Giovannino, Galleria Spada), bem como o espanhol Jusepe di Ribera (San Giacomo Maggiore, Palazzo Barberini, Roma). Procuramos mostrar ao visitante a maneira como cada artista, carregado de sua cultura local, interpreta a técnica de Caravaggio”, explica Vodret, ao ressaltar, ainda, que, no elenco de obras, não se poderia deixar de fora o artista Mattia Pretti (Negazione di Pietro, Palazzo Barberini), “que considero o último intérprete de Caravaggio”.
Programa educativo
O Programa Educativo da mostra conta com equipe de cerca de 20 educadores multidisciplinares, incluindo um intérprete em Libras. A pintura de Caravaggio segue três principais temáticas, a serem abordadas pelos educadores da Casa Fiat de Cultura: temas bíblicos, mitológicos e do cotidiano
O agendamento para grupos, escolas e assessoria ao professor poderá ser feito pelo telefone (31) 3289-8910 ou pelo e-mail agendamento1@casafiat.com.br. Além das visitas de grupos e instituições, o Programa Educativo também oferece visitas temáticas ao público e às famílias nos fins de semana, sem necessidade de agendamento.
Programa especial para cegos
Para a exposição Caravaggio e seus Seguidores, a Casa Fiat de Cultura desenvolveu um programa educativo com atividades especiais para deficientes visuais. Trata-se do projeto de Acessibilidade, atividade que integra o “Arte para Jovens”, idealizado por Flávio Couto e Silva de Oliveira e Aida Ferrari, com supervisão da Pró-Cultura e Promoção das Artes – APPA. Algumas obras da mostra contarão com audiodescrições, criadas por meio de pesquisa histórica e social da obra, além de entrevistas com diferentes pessoas sobre suas sensações e impressões.
As obras a serem contempladas com audiodescrição, por meio de audioguias, são: Ecce Homo (Cristo deriso o Uomo dei dolori), de Giovanni Baglione; San Francesco in meditazione, de Caravaggio; Maddalena Svenuta, de Artemisia Gentilechi; Sacrifício de Isaac, de Orazio Riminaldi; e San Girolamo, de Hendrick Van Somer.
Programação paralela
As palestras direcionam-se a todos aqueles que se interessam pelo conteúdo histórico e artístico de Caravaggio. Os participantes terão a oportunidade de ouvir grandes estudiosos do artista, como Luciano Migliaccio, o curador Fabio Magalhães, Lorenzo Mammi e Luiz Marques. Por fim, importante ressaltar que todas as palestras começam às 19h30 e possuem transporte gratuito, partindo da Praça da Liberdade.
23/05 – 19h30
Palestra: Caravaggio - Fundador do realismo moderno
Palestrante: Luciano Migliaccio, professor doutor da Universidade de São Paulo
30/05 - 19h30
Palestra: Apresença no Brasil de Caravaggio e seus seguidores
Palestrante: Fabio Magalhães, museólogo, crítico e curador
15/06 – 19h30
Palestra: Pesquisas e descobertas de Roberto Longhi, principal biógrafo de Caravaggio
Palestrante: Lorenzo Mammi, professor da Universidade de São Paulo
4/07 – 19h30
Palestra: Caravaggio, Michelangelo e os modelos antigos
Palestrante: Luiz Marques, historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas
Caravaggio no Cinema
A partir do dia 26 de maio, a Casa Fiat de Cultura dá início ao Ciclo de Cinema, que integra a programação da exposição Caravaggio e seus seguidores. Os apaixonados pela sétima arte terão a oportunidade de assistir a filmes que retratam a breve vida do grande mestre da pintura Michelangelo Merisi da Caravaggio. As sessões serão sempre aos sábados e domingos, com reprise também aos fins de semana, em datas já agendadas, às 17h, de 26 de maio a 15 de julho.
Programação:
Caravaggio
(Caravaggio, Inglaterra, 1986)
Dia: 26 de maio e 24 de junho, às 17h
Caravaggio
(Caravaggio, Inglaterra, 2007)
Dia: 27 de maio e 1º de julho, às 17h
O poder da Arte: Caravaggio
(BBC-Power of Art: Caravaggio, Inglaterra, 2006)
Dia: 3 de junho e 08 de julho, às 17h
Caravaggio
(Caravaggio, Portugal; 2008)
Dia: 10 de junho 15 de julho, às 17h
Caravaggio
(Caravaggio, Itália, 1967)
Dia: 17 de junho, às 17h
Serviço:
Período: 22 de maio a 15 de julho de 2012
Local: Casa Fiat de Cultura – R. Jornalista Djalma Andrade, 1250 – Belvedere – Belo Horizonte (MG)
Horários: Terças a sextas, de 10h às 21h
Sábados, domingos e feriados, de 14h às 21h
Confira a programação de palestras, cinema e atividades educativas:
Entrada e transporte gratuitos
Informações para a imprensa:
Árvore de Comunicação
Polliane Eliziário - (31) 3194-8704/(31)8329-1513
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