Uma napolitana imperatriz nos trópicos
IHGB • Rio de Janeiro/RJ • Brasil
27/03/2012 à 27/03/2012
O “Brasil italiano”, ao qual hoje se dedicam seminários, palestra e estudos, testemunha o surgimento da vontade de elaborar as linhas de uma nova geografia cultural das relações bilaterais. O ponto de partida é a consideração do Segundo Império como “momento decisivo”, com a criação do húmus no qual seria desenvolvida a planta das grandes migrações do final do século dezenove.
Teresa Cristina de Bourbon , a napolitana que foi imperatriz do Brasil, irmã de Ferdinando II Rei de Nápoles e esposa de D. Pedro II – pouco conhecida na Itália e pouco estudada também no Brasil – foi por muito tempo negligenciada pela historiografia: a sua imagem é ofuscada pelo marido, o imperador filósofo, amante das artes e das ciências, com relação ao qual a princesa borbônica é designada somente ao papel de Mãe dos brasileiros e descrita como mulher de pouca cultura, mas de grande coração.
Pela primeira vez, o estudo do Professor Aniello Angelo Avella sobre as fontes – até hoje nunca exploradas totalmente – revela uma personalidade feminina de notável valor cultural e humano, fornida de um forte caráter com o qual freqüente se contradizia ao marido.
A presença e a ação de Teresa Cristina contribuíram a tornar sistêmicas as várias manifestações da influência italiana no Brasil. No período 1843-1889, desde a sua chegada no Rio de Janeiro, até a sua morte em exílio, se formou o primeiro núcleo da grade colônia ítalo-brasileira, em seguida desenvolvida com as migrações do final do século XIX.
De particular importância, no processo de integração entre a Itália e o Brasil, foi a atividade arqueológica da imperatriz em suas propriedades na Itália das quais provêm muitas peças etruscas hoje expostas no Museu Nacional do Rio de Janeiro, juntas a coleção de arte de Pompéia que fazia parte de seu dote. O nome da imperatriz é ligado também a “Coleção Teresa Cristina”, uma coleta de livros raros e obras de arte de famosos autores italianos, doada ao Brasil por D. Pedro II depois do falecimento da mulher. Essa coleção em conjunto com as peças etruscas do Museu Nacional e as obras do Museu Imperial de Petrópolis é o maior depósito cultural italiano fora das fronteiras nacionais.
Sobre o autor do livro:
Aniello Angelo Avella é professor de História da Cultura dos Países de Língua Portuguesa na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Roma Tor Vergata, e responsável científico da cátedra Agustina Bessa-Luís instituída na mesma faculdade pelo Instituto Camões. Atualmente é visiting professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador dos acordos científicos da Universidade de Roma Tor Vergata com as universidades brasileiras. Associado ao Conselho Nacional de Pesquisa italiano e da associação Eurolinguistica Sud, è também sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, criado em 1838.
Em 2004 recebeu o prestigioso reconhecimento da “Medalha Tiradentes” pela Assembléia Legislativa do Estado de Rio de Janeiro. É autor de numerosa publicações sobre as relações culturais entre a Itália e os países de língua portuguesa, especialmente o Brasil.
Informações:
Título: “Una napoletana imperatrice ai tropici - Teresa Cristina di Borbone sul trono del Brasile 1843-1889”
Autor: Aniello Angelo Avella
Contato de assessoria: info@exormaedizioni.com